Ideias, ou a ausência delas?

Uma coluna de Neal Gabler, do New York Times, publicada no Estadão, começa fazendo afirmações fortes. Segundo o autor, atualmente, estamos vivendo em um mundo onde a “grande ideia” passou para um segundo plano. Ainda, vai alem apresentando que poderíamos estar à caminho de um mundo pós-ideias. Ele argumenta:

“Se nossas ideias parecem menores hoje, não é porque somos mais burros do que nossos antepassados, mas simplesmente porque não ligamos tanto para as ideias quanto eles ligavam. Aliás, estamos vivendo cada vez mais em um mundo pós-ideia – um mundo em que as ideias grandes, as que fazem pensar, que não podem ser instantaneamente monetizadas, têm tão pouco valor intrínseco que menos pessoas as estão gerando e menos canais as estão disseminando, a despeito da internet. As ideias ousadas estão praticamente fora de moda.”

É interessante ver como o autor liga esta concepção com o advento de redes sociais e tecnologias da informação. Segundo Neal há uma relação direta entre as quantidades de informação que recebemos e o mundo que ele nomeia de pós-ideia:

“[…] se a informação foi um dia um alimento de ideias, na última década ela se tornou sua concorrente. Estamos como o agricultor que possui trigo demais para fabricar farinha. Somos inundados por tanta informação que não teríamos tempo para processá-la mesmo que o quiséssemos, e a maioria de nós não quer.”

Partindo de estas constatações ele acredita que: “Preferimos conhecer a pensar porque o conhecer tem mais valor imediato.”

Certamente o artigo levanta questões muito interessantes sobre o impacto das mídias sociais e como, nós, como indivíduos, conseguimos lidar com uma avalanche de informação constante. Contudo, parece que a critica feita por Neal sobre a implicação das mídias sociais no nosso envolvimento politico é muito similar às critica que Kierkegaard fez, na década de 1830, ao tratar da massificação dos jornais.

O outro aspecto que podemos criticar é seu argumento de que há um certo narcisismo exacerbado que resulta do uso de mídias sociais. Ele não apresenta nenhuma prova alem de sua propiá experiencia. Será que realmente acreditamos que as pessoas hoje são menos engajadas do que a 100 anos atras? — A nossa experiencia com pesquisa indica que sempre foi uma pequena parcela percentual da população que está engajada.

Finalmente o argumento sobre o final das grandes ideias é fascinante. Contudo, o autor falha ao não avaliar criticamente se as ideias grandes são sempre boas para nós. Quantas pessoas foram torturadas, mortas ou sofreram em nome de grandes ideias? Será que não deveríamos celebrar a morte das grandes ideias? Queremos saber o que você acha, deixe seu comentário!

Fonte: A enxurrada de enganosas grandes ideias

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